O Sucesso tem o rosto da mãe, segundo Bert Hellinger

Tempo de leitura: 9 minutos

Onde o Sucesso começa? Como ele chega até nós? O Sucesso tem o rosto da mãe.

O Nascimento

O primeiro e decisivo sucesso em nossa vida é o nascimento. O seu êxito se dá melhor e mais consistentemente quando empurramos o caminho para a luz com o nosso próprio esforço, sem intervenção externa.

Aqui tivemos que provar a nossa capacidade de ser assertivos e nos afirmar. Este sucesso continua a nos apoiar ao longo da vida. A partir desta experiência ganhamos mais tarde a força para nos afirmarmos com sucesso.

Eu já consegui ir tão longe? O que essa conquista tem a ver com o sucesso profissional? Será mesmo que o nosso sucesso na vida mais tarde depende deste primeiro sucesso?

Como as pessoas que vieram ao mundo através da cesariana, ou foram puxadas para a vida com um fórceps se comportam mais tarde? Ou se elas vieram muito cedo e, em seguida, tiveram que passar semanas ou mesmo meses em uma incubadora?

Como agem em relação à autoconfiança e à assertividade? Claro que os efeitos destas experiências iniciais podem ser ultrapassados posteriormente, ao menos parcialmente.

E nós também podemos ganhar forças especiais com elas mais tarde, como acontece com qualquer dificuldade ou fardo. Ainda assim, estes eventos apresentam limitações e se transformam em desafios capazes de serem superados por nós uma vez que suas raízes sejam compreendidas.

Desta forma, podemos ser capazes de compensar o que foi perdido, ou mesmo recuperá-lo de alguma outra forma, muitas vezes com a ajuda de outros.

Ir ao encontro e tomar a nossa mãe

O próximo evento decisivo e o próximo sucesso são o movimento em direção à nossa mãe, agora como contrapartida a nos oferecer o seu peito e a nos alimentar. Ganhamos a vida dela novamente com o seu leite, desta vez do lado de fora.

Qual é a qualidade do sucesso aqui que nos prepara para os futuros sucessos, tanto na vida como no trabalho? Ao tomar a mãe como a fonte de nossa vida, com tudo o que flui através dela para nós, tomamos nossa própria existência; na medida em que tomamos a nossa mãe, aceitamos nossa vida como um todo.

Este tomar é ativo. Precisamos sugar para seu leite fluir. Precisamos chamar para que ela venha. Precisamos nos alegrar com o que ela nos dá e mostrar isso ao mundo. Através dela nos tornamos mais ricos.

Mais tarde na vida vemos que aqueles que tiveram sucesso pleno tomaram sua mãe exatamente assim, e tornaram-se felizes e vitoriosos.

Em geral, como nos relacionamos com a nossa mãe é como nos relacionamos com a vida, incluindo aí a vida profissional. Se nós rejeitamos a nossa mãe, nós também rejeitamos a vida e o trabalho.

E, na mesma medida, trabalho e a vida nos rejeitam. Seguindo este mesmo movimento, as pessoas felizes em relação à sua mãe amam o trabalho e a vida. E assim como sua mãe dá a elas cada vez mais, à medida que dela tomam com amor, com a mesma intensidade, sua vida e seu trabalho dar-lhes-ão sucesso.

Aqueles que têm reservas sobre suas mães, também têm reservas sobre a vida e a felicidade. Assim como suas mães se retiram deles como resultado de suas reservas e da rejeição, a vida e o sucesso se retiram também.

Onde nosso sucesso começa? Ele começa com a nossa mãe.

Como o sucesso chega a nós? Quando nossa mãe é bem-vinda e quando a honramos como nossa mãe, o sucesso chega.

O movimento em direção a nossa mãe

Para muitas pessoas há algumas vivências na tenra idade que bloqueiam o caminho para a mãe. Elas experimentam uma separação prematura de suas progenitoras, por exemplo.

Talvez tenham sido esquecidas por algum tempo, ou suas mães estavam doentes, ou a própria criança estava doente e sua mãe não tinha permissão de visitá-la.

Este tipo de vivência, doravante, resulta em uma mudança profunda em nossos sentimentos e comportamento.

Através da dor da separação e do sentimento de estar perdido sem a mãe, o desespero de não ser capaz de estar com ela, ela, a quem precisamos tanto, uma decisão é tomada e diz, por exemplo: “Eu desisto”, “Eu permaneço sozinho”, “Eu mantenho distância dela”, ou “Eu fico longe dela”.

Mais tarde, quando é permitido a esta criança que vá até sua mãe, ela ou ele frequentemente se mantém distante. Esta criança pode não deixar sua mãe tocá-la novamente; ela se fecha para a mãe e para o amor.

A mãe espera em vão e quando tenta chegar mais perto, para pegar seu filho em seus braços, a criança mantém a rejeição interna, e, frequentemente, também expressa seu repúdio.

As consequências do movimento interrompido em direção à mãe

A interrupção prematura do movimento em direção à mãe tem amplas consequências em nossas vidas e no sucesso ao longo da existência.

Quando, mais tarde, uma criança com este tipo de experiência quer ir até alguém, para um parceiro, por exemplo, o corpo se lembra do trauma da separação na tenra idade. Então ela para o movimento.

Ao invés de seguir seu movimento, espera que o outro se aproxime. Geralmente quando o outro vem, ela tem problemas para tolerar a proximidade. Rejeita de uma ou outra maneira o parceiro, ao invés de acolher alegremente esta pessoa.

Isto causa sofrimento, mas ainda assim só consegue se abrir para o outro com reservas, se não em tudo, e por pouco tempo.

Estas pessoas tem a mesma experiência com seus próprios filhos. Frequentemente terão problemas em tolerar a proximidade deles.

Qual é a solução?

Ultrapassa-se este trauma onde ele se origina. Geralmente, atrás de praticamente todo o trauma existe uma situação onde um movimento é necessário, mas é impossível, e em vez de seguirmos, nós nos mantemos parados, congelados no tempo.

Como este trauma, esta “petrificação”, pode ser resolvida? O trauma se resolve em nosso sentimento e em nossa memória, quando ao invés do medo, nós retornamos à situação dolorosa e fazemos o que outrora era impossível.

Nós entramos no movimento interrompido e nos movemos além do que andamos anteriormente. O que isto significa em relação à interrupção prematura em direção à nossa mãe?

Nós voltamos para dentro daquela situação como fora anos atrás, nos tornamos aquela criança naqueles dias e olhamos para a nossa mãe como fizemos.

Mesmo que a dor, a frustração e raiva brotem novamente dentro de nós, tomamos um pequeno passo em direção a ela – com amor.

Fazemos uma pausa, olhamos em seus olhos, e esperamos a coragem e a força para dar o próximo pequeno passo.

Novamente paramos, sentimos e conscientemente reconhecemos nossos sentimentos, agora podemos suportá-los com amor por nós mesmos e por nossa mãe.

Então, bravamente damos mais um pequeno passo, e de novo, lentamente, um passo após o outro até estarmos nos braços de nossa mãe, abrindo mão de toda resistência, nos entregando ao seu corpo, abraçando-a bem apertado no segredo de sua presença, de volta, finalmente, juntos no amor que temos por ela e nunca nos deixou ou a ela, sentindo o amor de mãe que também nunca nos abandonou: eu com ela novamente.

Mais tarde testamos, aqui também como a primeira vez em um movimento interior, se poderíamos ter sucesso neste movimento em direção ao nosso amado parceiro ou amada companheira.

Nós olhamos nos olhos dele ou dela e, em vez de esperar que venha a nós, tomamos o primeiro pequeno passo para ele ou ela interiormente. Depois de um tempo, quando tivermos angariado a segurança necessária, levamos o outro pé à frente.

Assim, lentamente, por meio de pequenos passos, ganhamos confiança, pé ante pé seguindo adiante até, finalmente, envolvermos o amado em nossos braços e os dele nos tomando, e, num abraço envolvente nós nos apoiamos facilitando esta realização.

Continue ainda o movimento em direção a outra pessoa, deixando corpo e alma se encontrarem cada vez mais profundamente e permanecendo assim, em felicidade, por um logo tempo.

O Movimento em direção ao Sucesso

Uma interrupção precoce no movimento em direção à nossa mãe revela-se, posteriormente, como um obstáculo decisivo para o nosso sucesso no trabalho, na nossa profissão, em nossos empreendimentos.

Aqui, também, é muito importante que caminhemos em direção ao sucesso ao invés de esperar que ele venha até nós.

Um bom exemplo é quando esperamos o retorno sem termos no esforçado e conquistado o que corresponde a nossas expectativas, ou quando insistimos para que outros façam o trabalho ao invés de nós mesmos nos entregarmos para ele, ou quando nos escondemos ao invés de alegremente irmos em direção às pessoas e ao trabalho. Todo sucesso tem o rosto da nossa mãe.

Aqui, também, nós praticamos isso com um movimento interior para o nosso sucesso, com outras pessoas, em nossa vontade de conseguir algo para elas, preparados para atendê-los, ao invés de hesitar, permanecendo parados e esperando que se movam.

Vamos em direção a eles, vamos para o nosso sucesso, passo a passo – e, em cada etapa, sentimos nossa mãe carinhosamente atrás de nós.

Na proximidade com ela, estamos muito bem equipados para o nosso sucesso e nós chegamos lá, assim como, anteriormente, conseguimos nos reunir com ela.

Em primeiro lugar, nos movemos até ela – e agora para o nosso sucesso.

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